Diálogos entre crianças e adultos

Filed Under (Vi por aí) by Hilda Armstrong on 09-07-2010


Por que a gente tende a complicar o que é simples?

Se termino de ler um livro para uma criança, não bastava perguntar se ela gostou da história ou o que sentiu (se alegria, raiva ou afeto)?

Perguntar o que o autor quis dizer ou o objetivo do personagem, são questões ultrapassadas até para o vestibular (ou pro ENEM).

Mas a gente insiste em questionar e disperdiça o momento de esplêndida simplicidade de expressão das crianças.

Gosto de comer tapioca na feira da Glória e ver os pais apresentando a  iguaria aos filhos.

A expressão das crianças é espontânea. E ninguém questiona se ela gostou ou não, de onde vem os ingredientes da tapioca e por aí vai. Não podia ser sempre assim?

É um gesto simples, numa barraca simples, que talvez por isso mesmo, atraia dentre os demais fregueses, dezenas de turistas estrangeiros e famílias com filhos pequenos.Uma forma bacana de começar o domingo.



Pouco importa se você escreve dez linhas ou fala 5 minutos sem parar, se do outro lado a mensagem não é compreendida, independente da idade do interlocutor.



Sejamos simples e objetivos como as crianças.

À seguir, compartilho trechos de textos de dois pais sobre diferentes formas de comunicação entre pais e filhos.

Caiu a ficha ou vai queimar o filme?
Romeo Busarello

Além de uma intensa vida executiva e também de ser professor em duas das melhores universidades de São Paulo, sou pai presente de dois filhos que estudam em colégios da classe média esforçada paulistana. Invariavelmente vou a festas de crianças e me socializo com os pais dos amigos dos meus filhos – que também, na sua grande maioria, é composta por executivos, empreendedores e profissionais liberais.

Nestas ocasiões, presto atenção às conversas travadas entre pais e filhos e observo o quanto a frequência dos discursos é destoante para as crianças que têm a idade máxima de sete anos. Vamos a algumas expressões que não fazem o menor sentido para a criança, mas muito sentido para os pais.

O pai chama o filho Felipe e dá-lhe uma dura porque ele não havia amarrado o cadarço do tênis e sai logo dizendo: “Felipe, a ficha não caiu?! Arruma este tênis”. O Felipe pensa consigo mesmo: “O que é ficha?”. O pai fala logo em seguida: “Assim você vai queimar o filme com os seus amigos”. Novamente, “o que é filme?, pensa Felipe. Por último, o pai fala: “Vamos, Felipe, é ‘nóis’ na fita. “O que será fita?”, pensa Felipe, já meio que concordando por osmose com o pai.

Passam-se alguns minutos e o pai do Felipe desabafa para os demais pares na mesa que aquela foi mesmo uma semana de “cão” para ele na sua vida executiva. Com os olhos e ouvidos treinados, captei alguns sinais de expressões que não fazem o menor sentido nos dias atuais.

Leia o texto completo clicando aqui.


Queria te pegar no colo de novo
Cristiano Web

Eu sonhei que você nascia de olhos abertos,

você olhava para mim e se espreguiçava no berçário.

Fazia um som qualquer e piscava os olhos.

Bocejava…

olhava tudo ao redor!

Fiquei com esse sonho gravado na minha mente

e desejava que seu nascimento fosse dessa maneira.

Madrugada de trabalho do papai…

mamãe dormia feliz!

Bolsa rompida…

Leia o texto completo clicando aqui.


Beijos e bom fim de semana para todos.
Hilda Armstrong
Heureca Ateliê
Atividades lúdicas e educativas para crianças
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